Excesso de peso na infância: onde estamos errando?

Vem entender um pouco melhor sobre a obesidade infantil com um texto da nutricionista Gabriela Possa

        O excesso de peso na infância vem crescendo gradualmente nas últimas décadas, sendo que atualmente temos a geração de crianças com maior porcentagem de excesso de peso da história. A pergunta que nos fazemos é: o que estamos fazendo de errado?
        A verdade é que os fatores ambientais como o sedentarismo e uma alimentação inadequada estão contando bastante para esta situação. As crianças e adolescentes estão formando seus hábitos em conjunto com adultos que também estão enfrentando problemas com sua alimentação e o excesso de peso. E isto é um grande problema se pensamos que uma criança com pai e mãe obesos tem 80% de chance de ser obesa.
        E o que fazer então? O melhor sempre é prevenir o surgimento desta doença, especialmente pela relação existente entre o excesso de peso e outras complicações como o diabetes mellitus, os problemas respiratorios e psicológicos. Criança e adolescentes com excesso de peso apresentam desânimo, cansaço, depressão, queda no rendimento escolar, baixa auto-estima, isolamento e discriminação.
        Neste caso, precisamos pensar já nos primeiros anos de vida desta criança, já que as preferências alimentares são estabelecidas precocemente, por volta de 2 a 3 anos de idade. O que vemos hoje são crianças com menos de 1 ano de idade sendo expostas ao consumo de bolacha recheada, açúcar, refrigerante, salgadinho, frituras, embutidos, gelatina, dentre outros produtos não indicados neste momento.

        Qual será a consequência desta exposição tão precoce? Um maior preferência por estes alimentos e um maior risco do surgimento da obesidade e outros problemas de saúde. Sendo assim, ressalta-se a importância do acompanhamento nutricional no momento da introdução dos alimentos. São muitas as dúvidas neste momento e o melhor profissional para respondâ-las é o nutricionista.   
        Porém, no caso da doença já estar presente, indica-se a busca de profissionais capacitados no trabalho com esta faixa etária o mais rapidamente possível, já que uma criança obesa tem 50% de chance de se tornar um adulto obeso, enquanto um adolescente tem  80% de chance. Além disto, crianças e adolescentes não podem ser expostos a dietas restritivas ou privações, assim como a uma perda de peso acelerada, estando isto relacionado com o desenvolvimento de outros problemas de saúde, especialmente os transtornos alimentares.  



Gabriela Possa
Nutricionista com enfoque comportamental
Mestre em Nutrição Materno-Infantil
Docente do Curso de Nutrição da Faculdade Cenecista de Bento Gonçalves

RS família criança

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